Danças e Canções de Okinawa - Novos ares de Ryukyu - 20/Agosto/2014

Existem apresentações que realmente são marcantes, que nos fazem suspirar e sonhar em praticar ou continuar uma arte. Essa foi a apresentação de Danças e Canções Folclóricas de Okinawa que foi realizado no teatro Gazeta. Realizado por iniciativa da Fundação Japão, o evento foi realizado em comemoração dos 10 anos de fundação do teatro nacional de Okinawa nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.


O grupo foi composto por músicos e dançarinos da elite de Okinawa, liderados pelo mestre Michihiko Kakazu sensei. Em 2012, juntamente com Osamu Aka sensei, veio ao Brasil para apresentação de Kumi Odori pela iniciativa do professor Satoru Saito. Devido à essa ligação entre professores, alguns dias antes da apresentação tive a grande honra de participar de um jantar de recepção no dojo do professor Satoru Saito. Nessa ocasião, juntamente com seus alunos e amigos, pudemos conversar, trocar conhecimentos e aproveitar o jantar com muita empolgação e música. Na mesma semana, os artistas também realizaram um pequeno workshop na Associação Okinawa.

Devido à grande procura, os ingressos da apresentação se esgotaram em questão de duas horas após a abertura da bilheteria. Consegui por muita sorte um ingresso! Com o teatro lotado, o clima era de muita expectativa e animação. O primeiro ponto que destacaria foi a montagem do palco. Com alguns tecidos característicos de Okinawa, o palco de forma bem leve e simples trouxe um ar de teatro muito caloroso e aconchegante.

Como pede qualquer evento de Okinawa, a abertura contou com o clássico Kajyadefu, seguindo por peças que mesclavam a dança com o som do sanshin, kutyo (violino de Okinawa), fue e taiko. Foi impressionante a sincronia, afinação e simpatia de todos os artistas, contagiando todo o público do teatro do início ao fim do evento. Impressionante também a expressão corporal e facial de cada dançarino, que mesmo cantando em uma língua totalmente desconhecida para mim, o uchinaguuchi (língua de Okinawa), parecia que eu entendia cada palavra e ria com cada brincadeira. 

Na peça Shimauta, os dançarinos descansaram e os três músicos presentes, perfilados e de pé, cantaram músicas de várias regiões da ilha. Para mim esse foi o ponto alto do evento! A interpretação da música Natsukashi furusato, que conta da saudades da terra natal foi de arrepiar. Não tive como não me lembrar dos meus dois grandes amigos de palco, Victor e Bruna, que estão bem longe (Austrália e Okinawa, respectivamente). Saudades desses dois!!! E então o grand finale com a obra-prima de Yaeyama, Hatoma Bushi.

O público aplaudiu por vários minutos e como era de se esperar, o evento foi um sucesso. Para mim em particular e aos amigos que tocam sanshin, foi inspirador ver aquele grau de qualidade em cima do palco. Com certeza, ficará em nossa memória e vamos fazer o melhor para continuar essa arte.








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