Biwa

Vou resumir aqui um pouco sobre um instrumento pouco conhecido e difundido, inclusive pelos próprios japoneses, mas, que chama atenção pelo som metálico e misterioso. Infelizmente, no Brasil não há professores de biwa, mas tive a oportunidade de ouvir o instrumento em algumas apresentações de músicos vindos do Japão.

De acordo com registros históricos, muitos instrumentos musicais do Japão vieram do continente asiático e o Biwa teve sua origem na Pérsia Antiga, de um instrumento denominado Barbat. Chegou à Índia e China (onde originou a P'ipa) pela Rota da Seda no século 3 e depois, em meados do século 7 ou 8 (Período Nara), chegou ao Japão. Existem várias lendas em torno do instrumento. Uma delas é que Buda tinha um discípulo cego que acompanhava os sutras juntamente com seu Biwa. 

Cítara indiana

Pipa chinesa


O instrumento que veio do Oriente Médio para o Oriente originou o Biwa, e o que foi para o Ocidente originou a cítara e o alaúde. O formato do Biwa se parece com a Cítara, mas a espessura da parte arredondada do tronco é muito fina, com cerca de 5 a 6 cm. Esta parte é oca por dentro e na parte da meia lua (na verdade, parece uma lua minguante) há dois orifícios e na parte denominada fukuju, onde se coloca as cordas, há mais um orifício. São ao todo três orifícios por onde saem os sons.

Alaúde

As cravelhas não são tão numerosas como no caso da cítara ou violão. Normalmente são 4 ou 5. A tonalidade do som é controlada com o aperto ou o afrouxar das cordas para variar a flexibilidade. As cordas são de seda e por serem muito delicadas, estão sujeitas à influência da temperatura ou umidade. Para tocar o Biwa, utiliza-se uma espécie de palheta (como o shamisen) e o seu formato pode mudar de acordo com o tipo de instrumento. O formato da palheta é em forma de leque bem aberto e possui ângulos agudos e consta que a palheta do Satsuma Biwa veio a ser utilizada como arma de defesa pessoal. Existem cerca de 5 ou 6 tipos de Biwa no Japão moderno e um dos mais conhecidos é o Satsuma Biwa.



Inicialmente, o Biwa era utilizado como um instrumento do Gagaku (Gakubiwa), posteriormente acompanhava cantos budistas no período Heian. Muitos desses monges e cegos entoavam os cantos de vila em vila em uma vida miserável para conseguir dinheiro e comida. No início do período Kamakura, um novo tipo de Biwa foi criado, o chamado Heike Biwa. Os cantos foram originários a partir da história de Heike Monogatari (contos das batalhas entre os clãs Heike e Genji, sendo conhecido como a primeira novela já conhecida no mundo, que enfatizava principalmente a bravura e lealdade em batalha) e sua origem está ligada à Fujiwara no Yukinaga, um músico e dançarino de Gagaku. Entretanto, com a popularidade do shamisen, o Heike Biwa entrou em declínio e estagnação.

Heike Biwa


No século XVI, o senhor feudal de Satsuma (hoje, província de Kagoshima, situada ao sul do Japão), Shimazu Tadayoshi, adotou como um das matérias didáticas o uso deste instrumento musical como um método de aperfeiçoamento espiritual dos filhos dos guerreiros, os samurais. Em Kagoshima, vários tipos de Biwa e cantos foram criados, e com a finalidade de elevar a moral dos samurais, efetuou melhorias no instrumento, a fim de produzir músicas e contos heróicos (muito parecido com os cantos heróicos de Camões, contando histórias dos navegadores portugueses ao som do alaúde). Mandou também compor músicas novas a fim de divulgar o conhecimento do Budismo e Confuncionismo. Como os músicos tinham passagem livre pelo arquipélago japonês, muitos músicos formados em seu clã também o serviam como espiões.

Assim sendo, o método de tocar o instrumento, bem como os sons produzidos são bem dinâmicos. Satsuma Biwa é, portanto, considerado o Biwa dos samurais. 

Durante a Era Meiji, este instrumento alcançou a capital Edo e inclusive o próprio imperador Meiji o praticava. Ainda no mesmo período (século 19), o Chikuzen Biwa apareceu no norte de Kyushu, sendo o sucessor do Satsuma Biwa. Esse novo estilo mescla as narrações do Biwa e do Satsuma Biwa com a música do shamisen.

Satsuma Biwa

Comentários

  1. Nishikawa, adorei ler sobre a história da Biwa! Muito bom o seu blog, sempre acompanho! Abraços

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