quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

ツルシャン, o mais novo shamisen da família

Caros leitores, não sei o que estou fazendo eu aqui 5 da manhã sem conseguir dormir, mas decidi escrever para ver se o sono chega. Nem sei por onde começar em traduzir neste post minha felicidade e o pouco conhecimento que tenho a respeito.

Bom, no início desse ano chegou meu shamisen novo do Japão! O shamisen é tyuzao (médio) para ser tocado o estilo jiuta. Agradecimentos especiais ao casal Nishioka e à Abe sensei por todo o trabalho dado.


O shamisen chegou no dia 13 de janeiro e nada melhor do que um bom restaurante japonês para comermos e receber o instrumento, que chegou desmontadinho em uma caixa própria para seu transporte, principalmente em viagens de avião. 

Chegando em casa, mesmo tarde, não deu para resistir e tive que montá-lo. Vou aproveitar para mostrar as partes do shamisen.


A madeira é o kouki, a madeira mais nobre usada no instrumento, proveniente de uma árvore originária da Índia. O instrumento em si pode ser dividido em duas partes:
  • corpo ("dou" - 胴) - número 4 - que é coberto com couro em ambos os lados
  • braço ("sao" - 棹) - números 1, 2 e 3.

Na parte mais superior do braço (número 1), temos a parte chamada de "tenjin" - 天神 (vide figura abaixo). É nessa parte onde é fixado as cordas nos "itomaki" - 糸巻き - que faz a mesma função das tarrachas no violão para afinar o instrumento. Deixei marcado em vermelho o metal ("kamigoma" - 上駒) que serve de apoio para as cordas e é responsável o responsável por um tipo de vibrato metálico importantíssimo na ressonância, qualidade e som característico do shamisen.


Juntamente com as partes identificadas nos número 2 e 3, o braço fica com um total de 62,5 centímetros. Para segurar as cordas na outra extremidade do braço, temos o "nao" - 音緒, identificado no número 6.

O número 5 é chamado de "doukake" - 胴かけ e serve para não somente cobrir o corpo do shamisen, mas também permite que o instrumentista apoie seu braço sem que o shamisen escorregue, dando maior firmeza e um toque de beleza ao instrumento. O número 7 é o "koma" - 駒, que já foi descrito no post do estilo Jiuta. Depois disso, foi montar e testar o som.





Leitores, não sei como descrever com palavras a beleza do instrumento e a riqueza dos detalhes. Apesar do shamisen ser usado, dá para ver o quanto os japoneses cuidam bem do instrumento musical que adquirem. Não havia ali uma marca ou machucado. E depois de afinar o instrumento, fui testar o som. Nítido, limpo e alto! Impressionante! Fiquei muito feliz! espero usá-lo muito ainda.

Como costume de alguns instrumentistas, batizei o instrumento com um nome. A idéia surgiu de que antigamente não existiam partituras para música japonesa e tudo era ensinado por um método "boca a boca" chamado "Kutijyamisen" - 口三味線, que consiste em representar com alguns sons, movimentos específicos nas diferentes cordas do shamisen. Por exemplo, ao tocarmos as cordas 2 e 3, o movimento é chamado de "shan" (até que parece mesmo!). 

E quando comecei a tocar, a primeira música que aprendi foi o clássico Soran Bushi com a metodologia do Kutijyamisen (com 6 anos, mal sabia ler, quanto mais ler uma partitura)Como era pequeno, meu antigo professor me ensinou a base da música que era o "tsu ru shan". Eia a inspiração do nome do meu shamisen: Tsuru Shan - ツルシャン, uma alusão ao pássaro Tsuru (Grow), símbolo de boa sorte, saúde, fortuna e felicidade, e de "Tyan", que é um sufixo que se dá a nomes para pessoas próximas (seria a mesma função gramatical para o ~san para senhor).

Agradecimento especial à namorada Denise M. pelas fotos e suas edições, que realmente tomaram boas horas do fim de semana!

ツル シャン

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