terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Instrumentos musicais da cerimônia budista - Mokugyo (木魚)

Dentro desse universo enorme dos instrumentos de percussão utilizados nas missas budistas, um que ganha grande destaque é Mokugyo (木魚). Quem nunca foi em uma missa budista e ouviu aquelas batidas constantes enquanto o monge orava? No último fim de semana, fui ao Kinkaku-ji do Brasil e não pude deixar de notar um altar com um kin e um mokugyo.

Altar budista do templo Enko-ji/Kinkaku-ji em Itapecerica da Serra

Literalmente, os ideogramas do instrumento querem dizer peixe de madeira (em inglês, wooden fish). Na madeira são esculpidos dois peixes segurando um tipo de pérola, simbolizando a união. Há uma razão muito importante para se utilizarem peixes entalhados na madeira. No budismo, diz-se que os peixes nunca dormem, portanto, o instrumento simboliza a vigília e despertar. Para os monges, simboliza que devem ao cantar, deve se concentrar em seu sutra.

Para tocar, é utilizado uma baqueta com uma borracha na ponta para dar o som "abafado" característico. O som do instrumento varia de acordo com o tamanho e madeira utilizada. Existem mokugyos de 150 mm até 1,2 metros, e normalmente são dispostos nos autares budistas ao lado do kin.




Lenda


Inúmeras lendas descrevem a origem do Mokugyo, sendo a maioria delas da China e Coréia. Uma delas conta que um monge foi da China para a Índia aprender alguns sutras, mas durante o percurso, encontrou um rio cheio e não havia nenhuma ponte ou barco para atravessar.

Eis que de repente surge um grande peixe que ofereceu suas costas para que o monge atravessasse o rio. O monge aceitou e durante o percurso, o peixe contou que foi castigado porque cometeu um crime quando humano e foi transformado em peixe e aproveitou para pedir ao monge que durante a sua jornada, conversasse com Buda para que fosse perdoado.

O monge aceitou o pedido e continuou na sua jornada por mais 17 anos, obtendo as escrituras e retornando à China pelo mesmo rio. Entretanto, este estava cheio novamente e sem saber como atravessar, o mesmo peixe apareceu para ajudá-lo. Durante a travessia, o peixe perguntou ao monge se havia feito o prometido, mas o monge havia se esquecido. Com raiva, o peixe jogou o monge no rio, que foi salvo por um pescador. Mas infelizmente, todos os sutras que ele havia colecionado ao longo da jornada de 17 anos se perderam no rio.

Com raiva, o monge voltou para casa e entalhou uma cabeça de peixe na madeira, e toda vez que sentia raiva, batia na cabeça de peixe com um martelo de madeira. Para sua surpresa, toda vez que ele batia na cabeça do peixe, a escultura abria a boca e vomitava um ideograma (kanji) dos sutras que ele tinha perdido. Ele ficou muito feliz e toda vez que podia, batia na escultura. Depois de alguns anos, conseguiu com isso recuperar todas as escrituras.



Um comentário:

  1. Gostei da lenda! Interessante e bastante aplicável nas nossas vidas. Retribuir com coisas boas, mesmo quando estivermos recebendo sentimentos ruins, como pancadas na cabeça! Rs.

    ResponderExcluir