segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Xintoísmo e a música tradicional japonesa


Bom, esse blog é sobre música e por quê estou falando de religião? Como descreverei nos próximos posts, vocês verão que a religião teve grande influências nas artes e música japonesa. Começarei pelo xintoísmo, que deu origem ao Kagura.


O xintoísmo (), “caminho dos deuses” na sua tradução literal, é uma religião original do Japão, ao contrário do Budismo, que ao contrário de que muitos pensam, teve origem na Índia. Podemos encontrar vários de seus templos espalhados pelas cidades no Japão, onde pessoas depositam moedas em cofres e batem palmas orando por seus antepassados.

O xintoísmo incorpora diversas práticas espirituais derivadas de tradições pré-históricas, locais e regionais e foram registradas e codificadas pela primeira vez nos registros históricos do Kojiki e Nihon Shoki, como descritos em uma postagem anterior. Ainda assim, estes primeiros escritos japoneses não se referem a uma "religião xintoísta" unificada, mas a práticas associadas com as colheitas e outros eventos dos clãs relacionados às estações do ano, aliadas a uma cosmogonia e mitologia unicamente japonesas, que combina tradições espirituais dos clãs ascendentes do Japão arcaico, principalmente das culturas Yamato e Izumo.

Essa religião é baseada no conceito de que a geração presente possui um eterno débito cultural e espiritual com seus antepassados. Por essa filosofia estar impregnada no cotidiano do japonês, podemos observar o grande respeito que possuem por seus antepassados e pelos mais velhos. Além disso, caracteriza-se pelo culto à natureza, seu politeísmo e animismo, com uma forte ênfase na pureza espiritual, e que tem como uma de suas práticas honrar e celebrar a existência de um Deus, que pode ser definido como "espírito", "essência" ou "divindades", e é associado com múltiplos formatos compreendidos pelos fieis; em alguns casos apresentam uma forma humana, em outros animística, e em outros é associado com forças mais abstratas, "naturais", do mundo (montanhas, rios, relâmpago, vento, ondas, árvores, rochas). Considerado como consistindo de energias e elementos "sagrados", o Kami e as pessoas não são separados, mas existem num mesmo mundo e partilham de sua complexidade interrelacionada.

Monges xintoístas

Casamento xintoísta
Por não ter um cunho teológico, o xintoísmo conviveu pacificamente com outras religiões, como o budismo. Geralmente aceita-se que a ampla maioria do povo japonês participe de algum tipo de ritual xintoísta, ao mesmo tempo em que a maior parte também pratica o culto budista aos ancestrais. Devido à natureza sincrética das duas religiões, a maior parte dos eventos relacionadas à "vida" ficam a cargo dos rituais xintoístas, enquanto os eventos relacionados à "morte" ou à "vida após a morte" ficam a cargo dos rituais budistas (embora isto não seja uma regra); assim, é costumeiro, por exemplo, no Japão, registrar uma criança ou celebrar seu nascimento num santuário xintoísta, enquanto os preparativos para um funeral costumam ser ditados pela tradição budista.

Procissão de sacerdores xintoístas, no santuário Meiji, em Tóquio. Entre os dias 1º e 3 de janeiro, o templo deve recebe aproximadamente 3 milhões de visitantes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário